terça-feira, 12 de julho de 2011

Ação de Deus na História Vocacional

No processo de discernimento vocacional, é comum o vocacionado ver-se confuso diante dos diversos caminhos que lhe são viáveis e das incertezas que esse procedimento origina. Contudo, existe algo que ele não pode perder de vista: é Deus quem o chama, o ama e quer fazê-lo feliz. Por isso, o Senhor Deus deve conduzir o seu discernimento. Mas de que modo?

Antes de nascermos, Deus já traçou um plano de salvação para cada um. Assim Ele falou ao profeta Jeremias: "Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações" (Jr 1,5).

No entanto, nós só tomamos conhecimento desse chamado conforme amadurecemos na vida e na intimidade com Deus. O convite do Senhor é apresentado na nossa história pessoal: "Vem e segue-me" (Mt 29, 21). Muitas vezes, estamos cegos, surdos, apegados às coisas deste mundo e não ouvimos o Senhor que nos chama. Entretanto, em um momento, o seu chamado nos estremece. É o despertar vocacional!

As palavras ouvidas no interior incomodam e exigem uma resposta. Muitas dúvidas surgem e O questionamos como São Paulo: "Senhor, que queres que eu faça"? (At 9,6). Daí, devemos buscar auxílio de quem já passou por esse caminho, dos sacerdotes, dos Serviços de Animação Vocacional (SAV), das Pastorais Vocacionais (PV) e dos Centros de Orientação Vocacional (sugiro o CAOV).

Neste processo de discernimento, muitos elementos nos serão apresentados, entre eles, a análise da história pessoal. Isto consiste em olhar para o passado e identificar como Deus agia em cada situação da vida. Iniciando pela análise do que precedeu o nascimento (formação da família, doenças, tentativas de aborto, entre tantas realidades específicas), passando pela criação, traumas, pecados e sucessos, devemos identificar onde e como Deus agiu em nossa história. Mesmo nas derrotas, entender como Deus manifestou o Seu amor.

A pergunta que devemos fazer é: "em tudo o que já me aconteceu, como Deus agia? De que maneira Ele me conduziu até aqui? Nas mais diversas situações, em que direção e com que proposta o Senhor orientou"? Deste modo, o vocacionado pode dar passos mais firmes em direção àquilo que Deus planejou para sua vida.

Não é um processo simples, no entanto é necessário, principalmente se há traumas na história. Precisamos passar por um processo de cura interior, descobrimento do amor de Deus e de seu plano de salvação. Deste modo, cresceremos no autoconhecimento e no entendimento da vontade de Deus.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O Padre

(Artigo publicado originalmente em www.centrovocacional.com.


Conforme São Paulo nos ensina, o único mediador entre Deus e o homem é Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Tm 2,5). No entanto, este, antes de partir deste mundo, quis constituir os apóstolos como seus ministros. Deixando-nos, assim, alguém a quem pudéssemos recorrer a fim de recebermos o perdão dos pecados e nos alimentar da Eucaristia. Ou seja, Cristo institui o sacramento da Ordem, criando o sacerdócio da Nova e Eterna Aliança.


Sendo assim, todo sacerdote age “in persona Christi Capitis” (na pessoa de Cristo Cabeça). Ensina-nos o Catecismo que "[...] o ministro faz as vezes do Sumo e Eterno Sacerdote, Cristo Jesus. Se, na verdade, o ministro é assimilado ao Sumo Sacerdote por causa da consagração sacerdotal que recebeu, goza do poder de agir pela força do próprio Cristo que representa “Virtute ac persona ipsius Christi” (CIC 1548). O padre, pois, tem o poder de agir com a mesma força de Jesus. Ele mesmo já proferira no discurso de despedida dos apóstolos: “Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas”(Jo 14,12).


É o próprio Cristo que age na pessoa do sacerdote. Por isso, podemos dizer que o sacerdote é outro Cristo (Alter Christus). Aquele que caminhou na Judéia, na Galileia, na Samaria e em Jerusalém, continua a caminhar conosco, em nossas cidades, em nossos caminhos através dos nossos padres. Dessa maneira, podemos recorrer a Cristo em nossa oração, escutá-lo em sua Palavra, unir-nos a Ele alimentando-nos da Eucaristia e nos reconciliar com Ele através do sacramento da penitência que recebemos do sacerdote.


Todavia, como ensina o Catecismo, essa configuração a Cristo, não garante que o sacerdote fique imune a todas as fraquezas humanas, ao espírito de dominação, aos erros e até aos pecados. A graça da ordenação não muda ou soma virtude alguma à pessoa. Entretanto, “[...]nos sacramentos esta garantia é assegurada, de tal forma que mesmo o pecado do ministro não possa impedir o fruto da graça” (CIC 1550). No sacramento é o próprio Cristo quem age. O sacerdote apenas empresta o seu ser, mas é Cristo quem realiza o sacramento. Por isso, independente da pessoa, a graça do sacramento é assegurada a qualquer fiel de igual modo.


Portanto, é necessário termos um olhar de fé. Pois, quando olhamos para um padre, devemos considerar que apesar de muitas vezes apresentar os mesmos defeitos e limitações de antes de sua ordenação, a nossa fé nos garante que há algo de diferente nele: Ele é Cristo! É o Cristo em nosso meio, feito sacramento para nossa salvação. Uma certeza que, como já foi dito, só pode ser compreendida por quem tem fé.

Agradeço a colaboração de Larissa e Luís Henrique finalização deste artigo.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Despert(s)os no pecado

Ficamos chocados, ontem, com a tragédia na escola do Rio de Janeiro. Não esperávamos ver tal cena americana aqui no Brasil. Posições de especialistas e de repórteres preencheram o noticiário que repetiu por todo o dia. Entretanto, desejo, nestas poucas linhas, chamar atenção para um dado importante: a última frase do trecho da carta publicada escrita pelo assassino.

"Preciso da visita de um fiel seguidor de Deus
em minha sepultura pelo menos uma vez,
preciso que ele ore diante de minha sepultura
pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz,
rogando para que na sua vinda
Jesus me desperte do sono da morte para a vida..."

Esta pessoa tinha consciência do erro que estava cometendo e acreditava na salvação de sua alma, se alguém rezasse por ele. Seria isso a esperança cristã? Certamente que não, pois Deus promete que o céu é para aqueles que promovem a justiça a paz, que o amam de todo o coração e rejeitam o pecado. No entanto, cabe apenas a Deus julgar a sua alma e a nós rezar por ele independente do que tenha feito.


Guardando as devidas proporções, isso me fez pensar naquelas pessoas que levam uma vida "enfurnada" no pecado, sem nenhuma preocupação em fazer o bem a sua alma ou a sociedade e, no entanto, esperam serem salvas. Querem para si o bem aparente do pecado, mas não são capazes de assumir a vontade de Deus e, assim, tornam-se escravos do mal. Deste modo vivem tantas pessoas que fundamentam sua vida no prazer, na posse. Tantos que são gananciosos, malvados, intolerantes, violentos. E também, porque não, aqueles que se dizem crentes, mas vivem como se Deus não existisse.

O meu desejo não é inocentar esse criminoso, mas questionar: como você tem cultivado a tua fé, para a salvação de tua alma? O que está em primeiro lugar na tua vida? Creio que você não seja capaz de cometer tal barbaridade, mas o que você faz lhe garante a salvação?

terça-feira, 15 de março de 2011

Quaresma: tempo de penitências

Mais uma vez iniciamos o precioso tempo quaresmal, em que a Igreja chama-nos a uma profunda conversão. Na missa de quarta-feira de cinzas o padre rezava na oração coleta: "... que a penitência nos fortaleça no combate contra o espírito do mal". É a penitência (jejum), associada a oração e a esmola que conduzem este período. Infelizmente, estamos mal acostumados a fazer mortificações. Por isso, torna-se importante relembrar algumas passagens do Evangelho que o Senhor transmite importantes conselhos.

Jesus nos exorta no evangelho de São Mateus: "Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu" (Mt 6,1). A penitência que eu realizo deve ter por finalidade a cura (ou conversão) do meu coração e o louvor de Deus, para a salvação da minha alma. Se eu a realizo com interesse de ser aclamado pelas pessoas, não receberei a condenação divina, mas também não me aproximarei d'Ele, nem terei o meu coração convertido de seus erros. Por isso, é muito louvável a prudência e a sutileza. Ninguém precisa saber da minha mortificação. Vale ressaltar que toda penitência bem feita (de modo devido) é uma boa obra, conforme exorta o Senhor na passagem acima citada, porque serve para o crescimento pessoal e comunitário.

Entretanto, o evangelista registra outro ensinamento de Jesus: "Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus" (Mt 5,16). Ora, Jesus, em um momento, pede que mantenhamos as boas obras em segredo, em outro, que as façamos diante dos homens. Como devemos proceder, afinal?

A saída deste dilema é: devemos agir de tal forma que nossas ações glorifiquem a Deus. Isso dependerá da minha intenção interior e da capacidade de compreensão do ouvinte. Se meu interesse é que as pessoas vejam que eu estou fazendo penitência, elas verão e isso não me acrescentará nada. Se for simplesmente porque eu preciso emagrecer ou produzir mais trabalho (dinheiro), de nada valerá. Terei meu dinheiro ou serei mais magro, mas não receberá reconhecimento de Deus. Se estas últimas forem feitas de coração puro, tornar-se-ão justas se a finalidade é cuidar melhor do corpo, templo do Espírito Santo ou ter mais dinheiro, não para acúmulo pessoal, mas para aplicá-lo devidamente.

Aquele que realiza as mesmas mortificações para que seja libertado dos seus vícios, ou para se dedicar melhor à oração, pode contar isso para outras pessoas em forma de partilha que não estará agindo contrário ao conselho do Senhor. Os pastorinhos de Fátima sabiam conservar suas boas obras em segredo das demais pessoas, contudo partilhavam muito entre si, falando das mortificações que faziam, da alegria que sentiam por fazer a vontade de Deus e dos terços que rezavam. Isto os motivava a serem fiéis e humildes.

Nós também podemos partilhar com alguns amigos nossas penitências quaresmais e com isso motivarmo-nos a ser mais santos. Mas que seja para poucas pessoas. Quais? As devidas. Algum(ns) amigo(s) com quem sempre partilhamos, alguém que precise de uma motivação para dar mais a Deus. Enfim, devemos ter sabedoria para ver quando e com quem essa partilha deve ser feita. Se fizermos com espírito orante e humilde, eles verão as nossas boas obras e glorificarão ao Pai que está nos céus (cf. Mt 5,16). Essa partilha motivará ao outro a fazer a sua mortificação, aumentará a fraternidade e tornará a amizade mais santa.

domingo, 6 de março de 2011

Carnaval

    Chegou o Carnaval! Neste período, muitos aproveitam para viajar, descansar, se divertir, brincar, etc. É um momento oportuno para tudo isso, ainda que alguém não concorde com a festa. No entanto, é um período em que muitos pecados são cometidos, que acabbam ofendendo a Nosso Senhor.
    Desde a origem, essa festa está ligada ao pecado. Não desejo aqui justificar esse argumento, mas apresentar algo que é antigo na Igreja: a reparação para os dias de carnaval.
    Quando Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu a Santa Margarida Maria Alacoque, pediu que reparasse o Coração Sacratíssimo de Jesus e que divulgasse essa devoção. O Seu coração, chagado com os nossos pecados, deve ser desagravado por nós pelos nossos pecados e o de todos os homens.
    Não precisamos esperar a quaresma para desagravar Seu coração. Podemos fazer isso hoje, principalmente nesses dias que Ele é mais ofendido. Façamos pelo nossos pecados e os do mundo inteiro.
    Para isso, sugiro esta oração de desagravo e reparação pública para os dias de carnaval e pecados públicos:

Ó Coração dulcíssimo de Jesus! Coração Hóstia!
Coração vítima, para quem os homens ingratos
só tem esquecimento, indiferença e desprezo!
Permiti que vosssos filhos devotos venham,
neste dia de salvalção e de perdão,
pedir misericórdia a vossos pés e
dar-vos reparação pública pelas traições,
atentados e sacrilégios de que sois vítima adorável
em Vosso Sacramento de amor!

Ah! pecadores também, apenas ousamos apresentar-vos!
Cada um de nós teme, e não se sente com ânimo
para elevar a voz em favor de seus irmãos!
Entretanto, ó Jesus, confiando na infinita bondade do vosso Coração
e prostrando-nos humildemente, perante vossa Majestade
ultrajada pelos crimes que inundam a terra,
ousamos dizer-vos: Senhor, não castigueis!
Não castigueis! Ou, ao menos, não castigueis ainda!
O vosso indulgente amor perdoará a nossa temeridade!

Ó Coração de Jesus, Coração tão generoso e tão terno,
Coração tão amante e tão doce, perdão primeiramente para nós,
perdão para os pobres pecadores!
Aceitai o nosso desagravo, a nossa reparação pública pelas blasfêmias,
com que a terra tremendo ressoa!
Perdão para os blasfemadores!

Resparação pública pelas frofanações dos vossos sacramentos
e do santo dia que vos é consagrado.
Graça e perdão para os profanadores!

Reparação pública pelas irreverências e imoléstias
cometidas no lugar santo.
Graça e perdão para os sacrílegos!

Reparação pública pela indiferença que de vós aparta tantos cristãos

Graça e perdão para os ingratos!

Reparação pública por todos os atentados
cometidos contra Vós neste carnaval.
Ainda que uma vez, meu Deus, graça e perdão para todos os homens.

Favorecei-nos, Senhor, em consideração do Coração adorável
de vosso Divino Filho,
que vela em todos os santuários, Vítima permanente por nossos pecados!

Seja ouvido em nosso favor o seu Sangue preciosíssimo!
Cessem as ofensas!
Estabeleça-se o vosso divino amor!
Reine, triunfe nos corações de todos os homens,
para que todos os homens reinem um dia convosco no céu!
Assim sej
a!