terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Tendências que deixam a marca "V"

Algo que está em grande evidência atualmente em nossa sociedade é o movimento de "homossexualização" do pensamento, da arte e da moda. Não é necessário ter os sentidos aguçados para perceber isso, mas, muitas vezes, ele surge camuflado, então é necessário que outros nos abram a visão. Tentaremos apontar aqui um dos modos que essa corrente tenta criar a cultura gay.

Olhando para os acontecimentos do século XX, observaremos todo o processo que desencadeou nas manifestações públicas homossexuais na década de 1990 e neste início do século XXI. Eles são muito criativos e têm projetos muito bem direcionados, trabalhando de forma variada com o seu público diverso. Desejo salientar um elemento, que me parece pouco perceptível às pessoas, inserido há pouco tempo no campo da moda e que já adquiriu grande espaço: a "gola V" masculina.
Desde que surgiu a chamada “gola V”, percebi claramente a homossexualização presente nela. Infelizmente, não sei onde foi sua origem e nem a intenção de seu(sua) idealizador(a). Mas é visível a semelhança dessa camisa com as roupas femininas, que possuem esse corte. Obviamente, nem todos os que a vestem o fazem por certo gosto da feminilidade, ao contrário, muitos exaltam sua masculinidade com ela. No entanto, com um olhar mais amplo, as pessoas que a usam deixam isso mais evidente ainda mais se já têm uma postura gay.

Acredito que poucos vão concordar comigo, mas quis esboçar essa opinião depois que vi uma camisa de um evento católico com esse modelo. Por mais que não concordem, espero que, ao menos, faça refletir aos coordenadores de encontros/movimentos/eventos sobre a inserção da moda em seus sinais. Gostaria de não vê-la mais com estampas de atividades religiosas, mas não vou aplicar tamanha esperança para não me frustrar. Sei que, daqui há um tempo, esse modelo pode deixar de ter as características que apresento, mas, atualmente, apresenta e estou certo disso. Espero que nesse ambiente, melhore.

domingo, 28 de agosto de 2011

Audiência do Papa sobre a meditação

Devido a falta de tempo para escrever, proponho a leitura da catequese do papa sobre meditação.

O homem em oração (10)
A meditação
Amados irmãos e irmãs
Ainda estamos na luz da solenidade da Assunção, que — como eu disse — é uma Festa da esperança. Maria chegou ao Paraíso e este é o nosso destino: todos podemos chegar ao Paraíso. A questão é: como. Maria conseguiu; Ela — reza o Evangelho — é «Aquela que acreditou que se haviam de cumprir as coisas que o Senhor lhe disse» (cf. Lc 1, 45). Portanto Maria acreditou, confiou em Deus, entrou com a sua vontade naquela do Senhor e assim pôs-se precisamente na via directíssima, no caminho rumo ao Paraíso. Crer, confiar no Senhor, entrar na sua vontade: este é o rumo essencial.
Hoje não gostaria de falar sobre todo este caminho da fé, mas só sobre um pequeno aspecto da vida de oração, que é a vida do contacto com Deus, ou seja, sobre a meditação. E o que é meditação? Quer dizer «fazer memória» do que Deus fez e não esquecer os seus numerosos benefícios (cf. Sl 103, 2b). Muitas vezes vemos só as coisas negativas; temos que conservar na nossa memória também as coisas positivas, os dons que Deus nos concedeu, prestar atenção aos sinais positivos que vêm de Deus e fazer memória dos mesmos. Portanto, falamos de um tipo de prece que na tradição cristã é chamada «oração mental». Em geral conhecemos a oração com palavras, naturalmente também a mente e o coração devem estar presentes nesta oração, mas falemos hoje de uma meditação que não é de palavras, mas um contacto da nossa mente com o coração de Deus. E aqui Maria é um modelo muito real. O evangelista Lucas repete várias vezes que Maria «conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração» (2, 19; cf. 2, 51b). Guardiã que não esquece, Ela está atenta a tudo o que o Senhor lhe disse e fez, e medita, isto é, entra em contacto com várias realidades, aprofundando-as no seu coração.
Portanto, Aquela que «acreditou» no anúncio do Anjo fez-se instrumento para que a Palavra eterna do Altíssimo pudesse encarnar, e acolheu também no seu coração o prodígio admirável daquele nascimento humano-divino, meditou-o, ponderou com a reflexão sobre o que Deus realizava nela, para acolher a vontade divina na sua vida e para lhe corresponder. O mistério da encarnação do Filho de Deus e da maternidade de Maria é tão grande que exige um processo de interiorização, e não é só algo de físico que Deus realiza nela, mas algo que requer uma interiorização da parte de Maria, que procura aprofundar a sua compreensão, interpretar o seu sentido e entender as suas influências e implicações. Assim, dia após dia, no silêncio da vida diária, Maria continuou a conservar no seu coração os sucessivos eventos admiráveis dos quais foi testemunha, até à prova extrema da Cruz e à alegria da Ressurreição. Maria viveu plenamente a sua existência, os seus deveres quotidianos, a sua missão de Mãe, mas soube manter em si um espaço interior para meditar sobre a palavras e a vontade de Deus, sobre o que se realizava nela, sobre os mistérios da vida do seu Filho.
No nosso tempo vivemos absorvidos por numerosas actividades e compromissos, preocupações e problemas; muitas vezes tendemos a preencher todos os espaços do dia, sem ter um momento para parar, meditar e alimentar a vida espiritual, o contacto com Deus. Maria ensina-nos como é necessário encontrar nos nossos dias, com todas as actividades, momentos para nos recolhermos em silêncio e meditar sobre aquilo que o Senhor nos quer ensinar, sobre o modo como está presente e age no mundo e na nossa vida: sermos capazes de parar um momento e de meditar. Santo Agostinho compara a meditação sobre os mistérios de Deus com a assimilação do alimento, e usa um verbo que se repete em toda a tradição cristã: «ruminar»; isto é, os mistérios de Deus devem ressoar continuamente em nós mesmos, para que se tornem familiares, orientem a nossa vida e nos nutram, como acontece com o alimento necessário para nos sustentarmos. E são Boaventura, referindo-se às palavras da Sagrada Escritura, diz que «devem ser sempre ruminadas para poderem ser fixadas com aplicação ardente do espírito» (Coll. In Hex, ed. Quaracchi 1934, p. 218). Portanto, meditar quer dizer criar em nós uma situação de recolhimento, de silêncio interior para ponderar, assimilar os mistérios da nossa fé e de quanto Deus realiza em nós; e não só sobre as coisas que vão e vêm. Podemos fazer esta «ruminação» de vários modos, lendo por exemplo um breve trecho da Sagrada Escritura, sobretudo os Evangelhos, os Actos dos Apóstolos, as Cartas dos Apóstolos, ou então uma página de um autor de espiritualidade que nos aproxima e torna mais presentes as realidades de Deus no nosso hoje, talvez deixando-nos também aconselhar pelo confessor ou pelo director espiritual, ler e meditar sobre o que lemos, ruminando sobre isto, procurando compreendê-lo, entender o que me comunica, o que me diz hoje, abrir a nossa alma àquilo que o Senhor nos quer dizer e ensinar. Também o Santo Rosário é uma prece de meditação: repetindo a Ave-Maria somos convidados a repensar e meditar sobre o Mistério que proclamamos. Mas podemos meditar inclusive sobre alguma experiência espiritual intensa, sobre palavras que nos ficaram gravadas mediante a participação na Eucaristia dominical. Então, vede, há muitos modos de meditar e assim de entrar em contacto com Deus e de nos aproximarmos de Deus e, desta forma, de estar a caminho do Paraíso.
Caros amigos, a constância ao reservar o próprio tempo a Deus é um elemento fundamental para o crescimento espiritual; é o próprio Senhor que nos infundirá o gosto pelos seus mistérios, suas palavras, sua presença e acção, sentindo como é bom quando Deus fala connosco; far-nos-á compreender de modo mais profundo o que deseja de nós. No final, é mesmo esta a finalidade da meditação: entregar-nos cada vez mais nas mãos de Deus, com confiança e amor, certos de que só no cumprimento da sua vontade seremos enfim verdadeiramente felizes.
Bento XVI

terça-feira, 12 de julho de 2011

Ação de Deus na História Vocacional

No processo de discernimento vocacional, é comum o vocacionado ver-se confuso diante dos diversos caminhos que lhe são viáveis e das incertezas que esse procedimento origina. Contudo, existe algo que ele não pode perder de vista: é Deus quem o chama, o ama e quer fazê-lo feliz. Por isso, o Senhor Deus deve conduzir o seu discernimento. Mas de que modo?

Antes de nascermos, Deus já traçou um plano de salvação para cada um. Assim Ele falou ao profeta Jeremias: "Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações" (Jr 1,5).

No entanto, nós só tomamos conhecimento desse chamado conforme amadurecemos na vida e na intimidade com Deus. O convite do Senhor é apresentado na nossa história pessoal: "Vem e segue-me" (Mt 29, 21). Muitas vezes, estamos cegos, surdos, apegados às coisas deste mundo e não ouvimos o Senhor que nos chama. Entretanto, em um momento, o seu chamado nos estremece. É o despertar vocacional!

As palavras ouvidas no interior incomodam e exigem uma resposta. Muitas dúvidas surgem e O questionamos como São Paulo: "Senhor, que queres que eu faça"? (At 9,6). Daí, devemos buscar auxílio de quem já passou por esse caminho, dos sacerdotes, dos Serviços de Animação Vocacional (SAV), das Pastorais Vocacionais (PV) e dos Centros de Orientação Vocacional (sugiro o CAOV).

Neste processo de discernimento, muitos elementos nos serão apresentados, entre eles, a análise da história pessoal. Isto consiste em olhar para o passado e identificar como Deus agia em cada situação da vida. Iniciando pela análise do que precedeu o nascimento (formação da família, doenças, tentativas de aborto, entre tantas realidades específicas), passando pela criação, traumas, pecados e sucessos, devemos identificar onde e como Deus agiu em nossa história. Mesmo nas derrotas, entender como Deus manifestou o Seu amor.

A pergunta que devemos fazer é: "em tudo o que já me aconteceu, como Deus agia? De que maneira Ele me conduziu até aqui? Nas mais diversas situações, em que direção e com que proposta o Senhor orientou"? Deste modo, o vocacionado pode dar passos mais firmes em direção àquilo que Deus planejou para sua vida.

Não é um processo simples, no entanto é necessário, principalmente se há traumas na história. Precisamos passar por um processo de cura interior, descobrimento do amor de Deus e de seu plano de salvação. Deste modo, cresceremos no autoconhecimento e no entendimento da vontade de Deus.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O Padre

(Artigo publicado originalmente em www.centrovocacional.com.


Conforme São Paulo nos ensina, o único mediador entre Deus e o homem é Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Tm 2,5). No entanto, este, antes de partir deste mundo, quis constituir os apóstolos como seus ministros. Deixando-nos, assim, alguém a quem pudéssemos recorrer a fim de recebermos o perdão dos pecados e nos alimentar da Eucaristia. Ou seja, Cristo institui o sacramento da Ordem, criando o sacerdócio da Nova e Eterna Aliança.


Sendo assim, todo sacerdote age “in persona Christi Capitis (na pessoa de Cristo Cabeça). Ensina-nos o Catecismo que "[...] o ministro faz as vezes do Sumo e Eterno Sacerdote, Cristo Jesus. Se, na verdade, o ministro é assimilado ao Sumo Sacerdote por causa da consagração sacerdotal que recebeu, goza do poder de agir pela força do próprio Cristo que representa Virtute ac persona ipsius Christi” (CIC 1548). O padre, pois, tem o poder de agir com a mesma força de Jesus. Ele mesmo já proferira no discurso de despedida dos apóstolos: Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas(Jo 14,12).


É o próprio Cristo que age na pessoa do sacerdote. Por isso, podemos dizer que o sacerdote é outro Cristo (Alter Christus). Aquele que caminhou na Judéia, na Galileia, na Samaria e em Jerusalém, continua a caminhar conosco, em nossas cidades, em nossos caminhos através dos nossos padres. Dessa maneira, podemos recorrer a Cristo em nossa oração, escutá-lo em sua Palavra, unir-nos a Ele alimentando-nos da Eucaristia e nos reconciliar com Ele através do sacramento da penitência que recebemos do sacerdote.


Todavia, como ensina o Catecismo, essa configuração a Cristo, não garante que o sacerdote fique imune a todas as fraquezas humanas, ao espírito de dominação, aos erros e até aos pecados. A graça da ordenação não muda ou soma virtude alguma à pessoa. Entretanto, “[...]nos sacramentos esta garantia é assegurada, de tal forma que mesmo o pecado do ministro não possa impedir o fruto da graça (CIC 1550). No sacramento é o próprio Cristo quem age. O sacerdote apenas empresta o seu ser, mas é Cristo quem realiza o sacramento. Por isso, independente da pessoa, a graça do sacramento é assegurada a qualquer fiel de igual modo.


Portanto, é necessário termos um olhar de fé. Pois, quando olhamos para um padre, devemos considerar que apesar de muitas vezes apresentar os mesmos defeitos e limitações de antes de sua ordenação, a nossa fé nos garante que algo de diferente nele: Ele é Cristo! É o Cristo em nosso meio, feito sacramento para nossa salvação. Uma certeza que, como já foi dito, só pode ser compreendida por quem tem fé.

Agradeço a colaboração de Larissa e Luís Henrique finalização deste artigo.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Despert(s)os no pecado

Ficamos chocados, ontem, com a tragédia na escola do Rio de Janeiro. Não esperávamos ver tal cena americana aqui no Brasil. Posições de especialistas e de repórteres preencheram o noticiário que repetiu por todo o dia. Entretanto, desejo, nestas poucas linhas, chamar atenção para um dado importante: a última frase do trecho da carta publicada escrita pelo assassino.

"Preciso da visita de um fiel seguidor de Deus
em minha sepultura pelo menos uma vez,
preciso que ele ore diante de minha sepultura
pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz,
rogando para que na sua vinda
Jesus me desperte do sono da morte para a vida..."

Esta pessoa tinha consciência do erro que estava cometendo e acreditava na salvação de sua alma, se alguém rezasse por ele. Seria isso a esperança cristã? Certamente que não, pois Deus promete que o céu é para aqueles que promovem a justiça a paz, que o amam de todo o coração e rejeitam o pecado. No entanto, cabe apenas a Deus julgar a sua alma e a nós rezar por ele independente do que tenha feito.


Guardando as devidas proporções, isso me fez pensar naquelas pessoas que levam uma vida "enfurnada" no pecado, sem nenhuma preocupação em fazer o bem a sua alma ou a sociedade e, no entanto, esperam serem salvas. Querem para si o bem aparente do pecado, mas não são capazes de assumir a vontade de Deus e, assim, tornam-se escravos do mal. Deste modo vivem tantas pessoas que fundamentam sua vida no prazer, na posse. Tantos que são gananciosos, malvados, intolerantes, violentos. E também, porque não, aqueles que se dizem crentes, mas vivem como se Deus não existisse.

O meu desejo não é inocentar esse criminoso, mas questionar: como você tem cultivado a tua fé, para a salvação de tua alma? O que está em primeiro lugar na tua vida? Creio que você não seja capaz de cometer tal barbaridade, mas o que você faz lhe garante a salvação?