quarta-feira, 10 de abril de 2013

Formação

Conforme era previsto na reformulação de nosso blog (no início deste ano), resolvi criar a categoria formativa. Deste modo, teremos duas publicações mensais: na primeira quarta-feira e na terceira. A primeira se classifica por opinião, conforme já expliquei, e contará com um artigo de tema livre, no qual desenvolverei alguma opinião pessoal. A segunda, que iniciaremos na próxima semana, será estritamente formativo, ou seja, seguirei algum ponto do ensino da Igreja e desenvolverei, prescindindo de qualquer opinião pessoal ou ideológica.

Peço a contribuição dos leitores com sugestões, dúvidas, críticas para que esse artigo seja de grande proveito para todos.

Esta inciativa visa unicamente cumprir a vontade de Deus. O Senhor nos permite a internet para que a usemos na evangelização. Este é um simples meio, que visa consolar o Coração de Deus. Que Ele seja amado, conhecido e adorado.

Ad majorem Dei gloriam!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Piercing, tatuagem e alargador


O desejo de transformação do corpo é algo crescente e propagador. Antes, era difícil ir a um lugar de respeito e ver pessoas com certos objetos ou marcas sobre o corpo. Hoje é difícil não vê-los. Embora seja um tema antigo, não encontramos muitas literaturas morais sobre o tema. Por isso, decidi publicar esse artigo esperando contribuir um pouco para sua reflexão e discussão, considerando a fé da Igreja como ponto de partida.

O princípio para o juízo desses elementos está no zelo pelo corpo. Independente dos movimentos que supervalorizam ou desprezam o corpo, sempre foi doutrina católica o cuidado dele como sacrário, morada da Trindade. Sendo o corpo templo do Espírito Santo, o seu dono tem o dever de cuidar do mesmo conforme a dignidade daquele que guarda.

O Catecismo trata do tema quando fala do quinto mandamento (cf. CIC 2288-2291; 2297). Se cuidar do corpo significa conservar a vida e nenhum homem tem direito de pô-la fim, com muita razão a Igreja rechaça aqueles que prejudicam sua saúde ou a põem em risco sem justo motivo. Pelo mesmo princípio, a Igreja ainda ensina que mutilar o corpo, senão para conservar a saúde, é uma ofensa a Deus.

Um outro elemento, que é muito difícil de avaliar, que entra nessa discussão, é a influência cultural, que é um patrimônio de um povo. Atualmente, sofremos a influência da ideologia neopagã, que valoriza a vida tribal em detrimento dos progressos alcançados por cada cultura. Os seus militantes pregam a cultura natural dos povos, ou seja, que cada povo deve viver as suas características primitivas e não deve sofrer influência de outros povos. Essa mesma ideia compreende que não existe valor maior em uma cultura que em outra; que todas as culturas são igualmente evoluídas; que a cultura primitiva é pura. Isso é um grande erro. Um povo pode promover sua cultura abrindo mão de elementos desumanizantes e assumindo outros que garantem o seu progresso, mesmo que adquiram de povos externos. A cultura, e o que ela carrega consigo, portanto, deve ser julgada, visando a verdade.

Retomando a questão do zelo do corpo, apresento um primeiro elemento agressivo ao corpo: o alargador. O seu uso proporciona uma deformação em um órgão do corpo - a orelha - e não traz consigo nenhum bem para saúde. Por isso, podemos afirmar, sem dificuldades, que o uso e incentivo do mesmo configuram, por ser uma mutilação, um pecado.

Para o piercing, aplico a ligação à cultura tribal. O Pe. Paulo Ricardo nos indicou uma importante ligação à sexualização de algumas regiões do corpo que não o são inicialmente. Quero abordar outra ótica, que já mencionamos: a do tribalismo. Quem usa o piercing, de modo direto ou indireto, liga-se a uma tribo, um grupo que não assume a característica cristã. É como se dissesse: “eu pertenço a essa tribo”! Além disso, em alguns casos o uso do piercing contribui para aquisição de doenças e, por isso, o seu uso torna-se condenável.



Quanto à tatuagem, não é muito diferente. A tatuagem sempre possibilita a aquisição de doenças (por esse motivo, em certo período, o tatuado fica impedido de fazer doação de sangue) e também está ligado ao movimento tribal. Portanto, se aplica o mesmo que dissemos para os outros dois elementos. Embora o catecismo não fale nada desses três itens, o YOUCAT nos ajuda a fazer uma aplicação para o caso das tatuagens. Quando o Catecismo dos jovens fala do quinto mandamento e do corpo (como fizemos aqui), apresenta o caso de pessoas que fazem “incisões¹” contra o próprio corpo. É certo que o catecismo está tratando dos que tem um problema psicológico, mas o mesmo pode ser dito para os que querem fazer cortes a fim de criar uma tatuagem: “não existe um direito humano a destruir o próprio corpo recebido de Deus”. Ainda que o desenho seja cristão, o problema não está no conteúdo da tatuagem, mas nela mesma.

“Acciones autodestructivas contra el próprio cuerpo (“incisiones”, etc) son en la mayoría de los casos reacciones psíquicas ante experiencias de abandono y de falta de amor; por eso, en primer lugar, reclaman todo nuestro amor a estas personas. No obstante, en este marco de cariño debe quedar claro que no existe un derecho humano a destruir el próprio cuerpo recibido de Dios” 
(YOUCAT, q. 387).

Mais uma vez, nossa intenção é incitar a reflexão. Poderíamos responder a tudo isso de forma muito simples: isso não coaduna com a tradição cristã. No entanto, não seria suficiente para as mentes mais críticas. O bem fundamental que desejamos alcançar é a nossa salvação. Essas coisas, por um momento, são contrárias à nossa fé, por outro são indevidos, simplesmente. Acima de tudo, são desnecessários e, se podem ser motivo de contradição, vale muito mais assumir a cruz de Cristo e renuncia-las.
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¹ A tradução portuguesa usa o termo “riscos”.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Melhor caminho para o diálogo e a unidade

Missas de sétimo dia, casamentos com disparidade de culto e celebrações oficiais são momentos propícios para reunir pessoas que não são católicas, entre elas, muitos protestantes. Em outras reuniões, fora da liturgia, acontecem a mesma coisa. Desse modo, existe a obrigação de dirigir o discurso aos dois públicos. E como realizar um discurso cristão-católico sem ofensas aos mesmos? Trata-se de uma tarefa muito difícil. Por isso, queremos propor um pensamento que nos parece mais fiel à doutrina e que auxilia à confissão religiosa para não se tornar, necessariamente, ofensiva aos que tem fé parcialmente distinta.

Muitos elementos nos aproximam dos protestantes: temos fundamento principal em Jesus Cristo, acreditamos na Santíssima Trindade, cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus, embora haja pequenas diferenças e possuímos muitos preceitos morais semelhantes, porque se inspiram nos dez mandamentos. Por sermos tão próximos, dizemos com muita frequência que "o importante é crer em Deus", "cumprir a Palavra", "ser cristão", pois isso basta para a nossa salvação. Cristo nos ensinou: "quem crer e for batizado será salvo, quem não crer será condenado". "Não importa a religião!", "se somos de uma religião ou de outra, o importante é estar em um bom caminho". Este, muitas vezes, é o discurso que fazemos ou ouvimos. No entanto, não é a mesma coisa ser católico ou protestante.

Se viver uma religião ou outra é a mesma coisa, porque não se fundem? O pensamento de uma e de outra aplica-se de modo diferente às Sagradas Escrituras, à moral, à Igreja (instituição) e tantos outros pontos. Se existem posturas diferentes, só podem significar duas coisas: ou esses pontos não são fundamentais à fé ou eles exigem reconhecer que um elimina o outro. Em outras palavras, o fato de existirem "igrejas"¹ diferentes demontra que a profissão religiosa é distinta. Sendo assim, não há sentido afirmar que as duas estão certas e que ambos os caminhos levam ao céu. Seguindo a premissa², dizemos que uma está certa e a outra errada; que um caminho leva à vida e outro à morte (cf. Dt 30,15-20); que um conduz à salvação e outro não.

Faço uma ressalva para a mesma questão entre as "igrejas" protestantes. A Reforma Protestante inicia com Lutero, mas, logo em seguida, surgem outros seguimentos com Calvino e Henrique VIII, cada um com uma postura diferente. Lutero defendia a livre interpretação da Sagrada Escritura e que não havia necessidade da mediação da Igreja e do Sacerdote para alcançar a Salvação. Calvino pregava a predestinação, escolha prévia de Deus pelos que deveriam ser salvos, e a prosperidade, posse de dinheiro entendido como bênção de Deus. Henrique VIII, ao criar a Igreja Anglicana, assumiu quase tudo da Igreja Católica, permitindo apenas o divórcio e se auto-afirmando chefe supremo da Igreja. O que diremos destes organismos serve para todas as outras denominações protestantes.



Não é difícil perceber que o início do protestantismo possibilitou a múltipla divisão dos reformadores, embora possam ser reunidos em um único grupo. No entanto, a diferenciação na vivência da fé exige que se reconheça que cada "igreja" possui uma profissão diferente, ainda que contenha elementos semelhantes. Não é possível dizer que a crença dos calvinistas seja a mesma dos luteranos, pois isso dispensaria a existência de ambas. Portanto, temos múltiplas profissões protestantes contrárias entre si. Aplicamos, então, o mesmo princípio: é necessário que uma esteja certa e outra errada, ou que ambas estejam erradas. Ou seja, se o protestantismo possui a verdade da fé, apenas uma das suas denominações pode ser correta, pois, de outro modo, viveríamos em contradições.

O principal elemento que fez os protestantes separarem-se da Igreja Católica foi a questão Eclesiológia³, ou seja, o problema da mediação. Os reformadores consideraram que o único meio da salvação é Cristo, por isso, cada fiel deve dirigir-se diretamente a Ele. A tradição católica sempre entendeu que na passagem que Pedro recebe as chaves da Igreja, Jesus está dando à mesma (à Igreja) o poder de religar os seus fiéis a Deus. Portanto, para alcançar a salvação é necessário estar na Igreja, ou atingir através dela. Não há outro meio de salvação. Isto, obviamente, é combatido pelos protestantes.

Deste modo, torna-se incoerente o discurso que apresentamos no início, e não deve ser usado nem mesmo como pronunciamento ecumênico. O diálogo inter-religioso e todas suas especificidades devem começar pela convicção e afirmação da própria fé. Posteriormente, comparam-se as diferenças com a fé do outro. No que se aproxima, concórdia; no que divide, diálogo visando a verdade.

Fiquemos mais atentos ao discurso de nossa fé! Neste ano, que o Papa Bento XVI nos convidou a refleti-la, torna-se um importante serviço essa clareza no diálogo com as religiões que se distinguem da nossa. Sem nenhuma agressividade, devemos ser claros, apontando aquilo que é verdadeiro e denunciando o que é falso. Sejamos corajosos e alcançaremos grandiosos prodígios no caminho da salvação e da unidade querida por Cristo.

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¹ A Igreja católica só utiliza o termo "Igreja" para associações religiosas que têm sucessão apostólica. Por isso, neste artigo e em outros, sempre que utilizar esse termo entre aspas, significa que estou referindo-me aos protestantes.
² Primeiro argumento de um pensamento ou argumentação. Neste caso, que religiões diferentes supõem profissões religiosas diferentes.
³ Eclesiologia é o estudo da Igreja.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Um caminho de retorno

Conforme vivemos a caminhada cristã, deparamo-nos com diversas realidades e situações que nos permitem pensar. Entre elas, estão as inúmeras pessoas que migram de um estado de segurança espiritual ao seu oposto, quando não chegam à apostasia. Muitas delas se acomodam, pensando que está melhor assim ou que não têm força para voltar ao que era antes. Por isso, pensando desde o pecado original, precisamos entender o que deve motivar o homem e a mulher em tal estado a retomar o caminho com confiança e fé naquele que é o motivo de toda a existência.

A condição original do homem era de plena comunhão com Deus, a qual foi rompida com o pecado dos nossos primeiros pais. A consequência dele está relatada em Gênesis 3: a terra foi amaldiçoada, o homem passou a tirar seu sustento com o suor do rosto, a mulher teve que sofrer para gestar. Em outras palavras, o pecado trouxe o sofrimento ao homem.

"Então o Senhor Deus disse à serpente:
'Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos;
andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida. 
Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. 
Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar'. 
Disse também à mulher: 'Multiplicarei os sofrimentos de teu parto; 
darás à luz com dores, teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio'.
E disse em seguida ao homem:
'Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste do fruto
da árvore que eu te havia proibido comer, maldita seja a terra por tua causa. 
Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida.
Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra. 
Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado;
porque és pó, e pó te hás de tornar'" (Gn 3,14-19).

Não obstante, Deus, em seu supremo amor, quis conceder ao homem uma condição superior àquela original. Ao enviar seu Filho amado para regenerar o homem, concedeu-lhe mais que o retorno ao estado anterior, mas uma condição superior e mais digna.

"A graça inefável de Cristo deu-nos bens superiores
aos que a inveja do demônio nos tinha tirado".
(São Leão Magno)
"Nada se opõe a que a natureza humana tenha sido destinada
 a um fim mais alto depois do pecado. 
Efetivamente, Deus permite que os males aconteçam para deles tirar um bem maior.
Daí a palavra de São Paulo: 'onde abundou o pecado, superabundou a graça' (Rm 5, 20).
Por isso, na bênção do círio pascal canta-se:
'Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor'!"
(Santo Tomás de Aquino)

No entanto, a oferta de Cristo não tirou a concupiscência*, que conduz ao pecado, do homem. A condição do homem que peca é similar àquela imediatamente posterior ao pecado de Adão, pois também aqui o homem perde totalmente seu vínculo com Deus. Essa separação não se dá devido à ira divina, mas da escolha livre do homem. Este perde, aqui, todo o vínculo com Aquele.


Ainda hoje, algumas pessoas experimentam de tal forma o pecado que perdem a semelhança divina alcançada por ação da graça. Quando um fiel vive uma vida santa, os que convivem com ele percebem certa similitude com Deus. Entretanto, vemos alguns que perdem toda ela com o pecado, sentindo-se, até, destruídos.

Cristo concede a esses
seus filhos um reencontro com Ele de uma forma também similar ao homem no estado posterior ao pecado original. Ou seja, este homem pecador também tem acesso a uma condição superior à anterior. Portanto, todos aqueles que se encontram destruídos pelo pecado devem saber que o Senhor deseja puxá-los novamente para junto de si e dar-lhes muito mais do que tiveram antes. E como se alcança isso? Pela busca da virtude e da confiança no amor de Deus. Pela virtude, desenvolve-se a vida na bondade, que agrada ao Senhor. Pela confiança em Deus, busca-se os sacramentos e recebe uma força que vem d'Ele.

Este
é um bom caminho de reencontro com o Senhor. Se nos percebemos longe do Senhor, presos no pecado como uma abelha ao mel, saibamos que o Senhor quer nos retirar dessa prisão e nos limpar novamente. Esforcemo-nos por nossa parte e corramos ao encontro da graça divina, pelos sacramentos. Encontraremos, assim, uma trajetória segura de retorno ao coração de Deus.
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* Concupiscência: Inclinação "natural" ao pecado, consequente do pecado original.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Um novo tempo...

Junto com tantos projetos trazidos pelas pessoas que projetam o novo ano que inicia, desejo apresentar a nova fase deste blog. Na primeira versão, dizia que não sabíamos onde seríamos conduzidos. Hoje posso dizer que tenho um pouco mais de ciência do quanto o blog pode contribuir para a formação das consciências. Não é um serviço que sempre atinja as massas, mas sempre retorna com frutos.

O blog surgiu como um desejo de compartilhar ideias e contribuir com a formação de seus leitores. Nunca foi minha ideia ter um blog muito acessado, mas, acessado por algumas pessoas, contribuísse na reflexão e formação dos mesmos.

Este é um novo tempo, marcado por novidades no layout e nos objetivos do blog. Permanece a ideia inicial de ser um consolo ao coração de Nosso Senhor e Nossa Senhora, mas, agora, quero que isso ocorra com objetivos mais definidos. Tracei, portanto, três categorias: formação, opinião e comentário. Em um primeiro momento, só lançarei a segunda e, por isso, explicarei esta inicialmente. Futuramente, é meu interesse lançar as outras categorias. Ao fazer isso, trarei uma explicação juntamente.

A "opinião" trará artigos de filosofia, teologia, temas de interesse público e derivados dos primeiros. Chama-se assim porque trará ideias mais pessoais, enquanto as outras menos. Será publicado, inicialmente, sempre nas primeiras quartas-feiras de cada mês. Espero que assim, retome contato com o público que, de certa forma, perdi ao deixá-lo desatualizado por um ano.

Agradeço o auxílio e ajuda de meus amigos críticos e revisores. Eles sempre me auxiliam e contribuem para que esse blog atinja o seu objetivo. Esperamos atingi-los ainda este ano, mas entregamos tudo nas mãos do bom Deus, que sempre vem em auxilio de nossa fraqueza. O antigo e novo leitor tem toda a liberdade de participar da discussão dos temas, sendo considerado todo argumento, desde que não ofenda alguém, não seja anônimo ou siga as regras lógicas do raciocínio.

Esperançoso com o sucesso, tudo depositamos nas Santas Mãos de Deus.


Sexta-feira, 04 de janeiro de 2013